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A droga do combate às drogas

Parece um terreno de areia movediça. Nele é cada vez maior o número de pessoas que se afundam e não conseguem voltar à superfície, movidas pelo transtorno, pelo engano de preferir, muito mais, a droga à própria vida. Isso acontece em nosso país de forma crescente e até o momento não emergiu um plano eficaz do Estado brasileiro que tenha a ventura de proteger a sociedade e livrar do sofrimento as famílias atingidas pelo desastre das drogas.

Parece incrível, décadas atrás o Brasil foi capaz de idealizar um programa de combate à aids, revestido de êxito, mas até agora, apesar do agravamento, nada que mereça respeito foi feito para enfrentar o tráfico de drogas e sua distribuição às pessoas. Vê-se que, recentemente, emergiu até mesmo um plano nacional envolvendo o lixo, algo absolutamente necessário, mas que serve para demonstrar a falta de coragem para agir da mesma forma em relação às drogas.

Dias atrás, o candidato José Serra mencionou publicamente que lhe parece assustador não termos um plano verdadeiro de combate às drogas, porém, por estar envolvido na disputa eleitoral, suas palavras foram tomadas como uma forma de agredir e diminuir seus competidores. Talvez por isso não repercutiram como mereciam.

Em verdade, o que ele disse é a expressão de uma infeliz realidade. Há pelo menos 70 anos entram no Brasil, produzidas no Paraguai, na Bolívia e na Colômbia, toneladas de maconha, cocaína e crack, sem que até o momento tenha sido idealizado um programa capaz de enfrentar esse câncer social, que antes corrompia os adultos, depois os jovens e agora alcança nossas crianças.

Nesse quadro sombrio, é de assustar a conduta de nosso presidente da República, que vive alisando e passando a mão na cabeça do presidente da Bolívia, um confesso produtor de coca, da qual é elaborada a cocaína vendida no Brasil e que degrada o tecido social, corrompendo a vontade de milhares de pessoas.

A importância econômica do Brasil e o destaque alcançado no continente permitiriam que o governo brasileiro se empenhasse num trabalho diplomático de eficácia junto aos países vizinhos para que houvesse um refreamento na produção de drogas. Especialistas dizem que de nada adianta combater internamente a ação dos traficantes se nos territórios próximos à nossa fronteira a droga continua a ser produzida e a entrar impunemente.

Quem milita na área do Direito bem sabe que na raiz de mais da metade dos delitos cometidos no País está a droga. O adolescente que pratica assalto nos cruzamentos das grandes cidades está desesperado à busca de dinheiro não para jantar com a namorada ou comprar uma roupa, mas para pagar ao traficante, porque, se não pagar com dinheiro, pagará com a própria vida.

A ética no trágico mundo das drogas envolve a confiança de fornecer, fornecer, fornecer e cobrar só depois. Fornecer, todos sabemos, significa criar a dependência química, aquela pela qual o organismo exige o produto acima de qualquer outra coisa. Esse inferno é proclamado publicamente a toda hora, mas a condenação não tem sido suficiente para afastar o aliciamento de novos viciados.

Desnecessário repetir que o prazer fugaz e enganoso proporcionado pela droga destrói vidas, destroça famílias e necrosa gradativa e crescentemente o tecido social. É incrível que isso continue a acontecer tendo como aliados o silêncio cúmplice e a indiferença de governantes, os quais, por sorte, não são eternos.

O pior é que nesse quadro sombrio e desanimador surgem a toda hora, lamentavelmente, como estímulos à disseminação das drogas, vozes bastante lúgubres, anunciando, por exemplo, que a maconha não é danosa ao organismo humano. São afirmações que servem apenas para exprimir a inteligência dos que as produzem.

Cientistas britânicos comprovaram cientificamente que o uso de maconha conduz a uma psicose de cura dificílima. Essas pesquisas demonstraram que entre dez pessoas, sendo três delas viciadas em maconha, a maneira de ver a vida é diversa: os sete não-usuários veem-na de uma forma e os três viciados de forma completamente diferente. É como se esses três viciados fossem seres fora do ninho, desajustados diante do mundo em que vivem. Permissíveis ao extremo, passam a aceitar qualquer degradação moral com naturalidade e vão afundando na areia movediça, primeiros os pés, depois as pernas, o corpo e finalmente a propriamente vida.

A maconha talvez seja a mais danosa de todas as drogas, porque representa o início do plano inclinado na vida dos que a experimentam. Esforços isolados são feitos pela iniciativa privada, por universidades e associações de classe, todas voltadas para a tentativa de recuperação dos viciados. Na Faculdade de Medicina federal de São Paulo esses esforços chegam a resultados excepcionalmente animadores, assim como a campanha desenvolvida pelo Centro de Integração Empresa-Escola, também de São Paulo, voltada para a conscientização dos jovens.

Tudo isso é necessário e merece estímulo, mas, sem nenhuma dúvida, falta uma ação programada de governo, um plano, enfim, que alimente a luta contra a produção de drogas. Sem a presença das drogas a criminalidade crescente, que deixa as famílias presas em casa, poderá gradativamente arrefecer, criando um clima de esperança em cada um de nós.

Cada vez que vejo, nos jornais e na televisão, a escalada criminosa decorrente das drogas, fico pensando: meu Deus, será que só eu estou enxergando isso? É claro que não, há uma infinidade de pessoas preocupadas e prontas para agir em conjunto, mas falta a ação programada que somente um governo de caráter terá o poder de desencadear.

Enquanto isso não vem, é necessário que cada um de nós, que nos sentimos humilhados e diminuídos por essa degradação, junte esforços para cobrar, para exigir mais atenção e mais coragem.

ADVOGADO, É DESEMBARGADOR APOSENTADO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO. E-MAIL: ALOISIO.PARANA@GMAIL.COM

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Por que Dunga não é um behaviorista

(por Maria Martha Costa Hübner, do Observatório da Imprensa)

O texto intitulado “O caso do Sr. D”, publicado pelo colunista da revista Veja Diogo Mainardi em 26 de junho de 2010, traz alguns equívocos sobre a tradição de psicologia chamada genericamente de behaviorismo ou psicologia comportamental. Mainardi faz a seguinte afirmação em seu texto: “Dunga só pode ser nosso B. F. Skinner. Ele faz com seus jogadores precisamente o mesmo que, nos primórdios do behaviorismo, B. F. Skinner fazia com os pombos e com os macacos de seu laboratório. Primeiro, prende-os numa gaiola. Segundo, isola-os de qualquer contato com o exterior. Terceiro, raciona seus alimentos. Quarto, condiciona seu comportamento administrando-lhes choques elétricos.”

Cabe lembrar que Dunga não é um behaviorista e, consequentemente, não é um especialista do comportamento. Ele é apenas alguém que, algumas vezes, usa desavisadamente a punição, procedimento que psicólogos comportamentais combatem veementemente.

O behaviorismo é uma filosofia que embasa a ciência empírica que estuda o comportamento dos organismos, sendo esta chamada de Análise do Comportamento ou Psicologia Comportamental. Behavioristas não criaram a punição (ou mesmo os choques elétricos) e seu fundador (B. F. Skinner) é o maior inimigo de práticas coercitivas ou punitivas. As instituições sociais criaram as punições, e não os behavioristas. Como cidadãos, observamos, consternados, m étodos “disciplinadores” em nossas relações econômicas, governamentais, educacionais, religiosas, entre outras. Todos nós estamos bem familiarizados com as práticas de nossa cultura, que apresenta consequências punitivas para pessoas que infringem as leis, tais como a não prestação de contas ao fisco, o não cumprimento de deveres cívicos, o desempenho insatisfatório em trabalhos escolares, ou qualquer ação que seja classificada como pecado ou erro.

Cidadãos dignos e atuantes

Os behavioristas, buscando meios de suprimir essas práticas e demonstrar seus efeitos perniciosos, pesquisam a punição com profundidade há mais de 60 anos, com robusta produção científica, denunciando veementemente as práticas coercitivas na sociedade. Mesmo em épocas de ditadura militar, analistas do comportamento não deixaram de se manifestar publicamente contra a prática da punição em nossa cultura. Maria Amélia Matos (em memória) foi uma das pessoas que o fizeram, em um artigo deno minado “A ética no uso do controle aversivo”, de 1982.

Temos behavioristas no Brasil reconhecidos internacionalmente, trabalhando e buscando soluções para um vasto leque de problemas humanos, sem o uso de punição. No campo da saúde, desenvolvemos tecnologias de intervenção que melhoram a vida das pessoas que sofrem dos mais diversos distúrbios. Comumente tratamos dos efeitos maléficos provocados pela punição e ensinamos nossos clientes a como efetivamente enfrentá-la. Temos terapeutas comportamentais trabalhando com pessoas deprimidas, fóbicas, ansiosas. Trabalhamos também com crianças com problema de desenvolvimento dos mais diversos. O tratamento de maior eficácia para o autismo é reconhecidamente de orientação behaviorista.

Como cientistas também preocupados com as práticas educacionais, auxiliamos na formação de melhores professores e na educação de crianças para que estas venham a se tornar cidadãos dignos e atuantes em suas comunidades. Pessoas que saibam f azer escolhas e que não venham a causar sofrimentos a outros ou a si mesmo, usando, inadvertidamente, a mesma punição que aprenderam em ambientes sociais coercitivos.

Esclarecer dúvidas e dialogar

Muitos colegas na Psicologia Comportamental trabalham em empresas, no esporte ou no planejamento de políticas sociais mais humanas. B. F. Skinner, ao seu tempo, foi um humanitário e as causas ilustradas no livro Walden II (obra bem lembrada por Mainardi) são, por assim dizer, genuinamente humanitárias. Vale lembrar que em nenhum momento desta obra de ficção o autor propõe uma sociedade totalitária. Pelo contrário, sua proposta de sociedade defende o respeito à individualidade e à liberdade individual. Aliás, o mesmo Skinner defende que, se a sociedade em que vivemos não usasse tanta punição, nem precisaríamos criar um termo como a “liberdade”, já que ele seria um valor comum, e não um estado de exceção.

Em setembro próximo teremos o XIX Encontro Naci onal da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC – www.abpmc.org.br), o maior fórum científico da área. Reunimos hoje mais de três mil pesquisadores, profissionais e alunos de graduação preocupados com a relevância social das nossas descobertas e com o rigor ético de nossas intervenções. Queremos, sim, construir um mundo mais digno. E os dados da ciência do comportamento vêm sendo profícuos em nos ensinar a como fazer isso. Mas isso depende da capacidade de nossos interlocutores superarem preconceitos históricos e ouvir o que temos a compartilhar à luz do atual desenvolvimento da Análise do Comportamento e do behaviorismo skinneriano. Basta uma rápida pesquisa nos anais de nossos Encontros para notar nossa preocupação com temas que afligem a sociedade e que poderão comprometer a sobrevivência de nossa cultura, entre os quais estão justamente as mais variadas for mas de punição.

Sabemos que os termos técnicos da Análise do comportamento por vezes impedem a adequada compreensão de nossa ciência. Mas a ABPMC estará sempre de portas abertas para esclarecer dúvidas, dialogar com colegas cientistas de outras áreas e com qualquer interessado na compreensão de nossa abordagem.

[Endossam este artigo Denis Zamignani, vice- presidente da ABPMC e diretor do Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento; Roberto Alves Banaco, membro da diretoria da ABPMC, professor titular da PUC-SP e coordenador acadêmico do Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento; Paulo Roberto Abreu, mestrando do programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental da USP e associado da ABPMC; e Juliana Helena dos Santos Silvério, mestranda do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento da PUC-SP e associada da ABPMC]

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Quando os cientistas fraudam (extraído do blog do Prof. Dr. José Palazzo Moreira de Oliveira http://palazzo.pro.br)

Science & Vie
Nov. 2008
n. 1094, p. 56-69

56 FRAUDE SCIENTIFIQUE
Etudes biaisées, expériences trafiquées, résultats falsifiés…A côté de cas célèbres de fraude scientifique, les “pratiques douteuses” semblent s’accumuler dans les labos. Pourquoi certains chercheurs franchissent-ils alors la ligne rouge ? Que faire pour l’éviter ? Voici notre enquête dans les coulisses de la science.


O número de Novembro de 2008 da revista francesa Science et Vie apresentou um artigo de fundo sobre a Fraude Científica, com o subtítulo: uma investigação nos bastidores dos laboratórios. Com todos as denúncias de corrupção na política brasileira temos a tendência de relaxar a atenção na ética na pesquisa. Acreditamos que os cientistas são, inerentemente, mais sérios; engano, total e completo. Este artigo apresenta uma visão chocante da realidade nos laboratórios. Nesta crônica mostro uma síntese das idéias e fatos descritos no artigo.
Na fraude científica existem os “grandes criminosos” e os “pequenos delinqüentes“. O grande problema é que se for permitido que a cultura de que os pequenos delitos podem ser aceitos a ética começa a ser erodida e, aos poucos, a fraude se instala nos laboratórios. Sou otimista e creio que a maioria dos pesquisadores, a menos de uns poucos patologicamente criminosos, é correta e gostaria de assim permanecer. A fraude é estimulada por dois fatores: i) a impunidade e ii) uma pressão irrealística de avaliação que hoje é representada pela busca pelo Santo Graal Acadêmico da indexação ISI, do QUALIS e associados. Na crônica anterior tratei da avaliação das diferentes formas de publicação, este foi o tema de uma palestra na CAPES e outra na Universidade de Paris XIII, na Escola Doutoral Galilée: a idéia é que TODAS as publicações, independente do meio, podem ter qualidade. A idéia é que a qualidade é algo intrínseco à publicação, ao seu mérito, e não ao veículo de publicação.

Precisamos, e rapidamente, entender que a avaliação de um pesquisador (lembrem-se que pesquisadores são pessoas) deve ser realizada pelo valor da sua obra e não exclusivamente sobre indicadores numéricos e bibliométricos. Um dos comportamentos inadequados, criados por esta pressão copiada dos USA  e conhecida como publish or perish,  a que somos forçados é a técnica do salame: transformar um artigo bom e completo em tantos artigos pequenos quanto possível (nos bares baratos procuram fazer fatias tão finas quanto possível de um salame para render mais). Qualidade é um conceito subjetivo que está relacionado diretamente às percepções de cada indivíduo. Diversos fatores como cultura, modelos mentais, necessidades e expectativas influenciam diretamente nesta definição. A qualidade é algo que tem profunda base ideológica. Não existe uma definição fixa, perfeita e imutável de qualidade. Há enormes interesses econômicos e de poder em criar definições de qualidade que: (i) privilegiem os países centrais, (ii) permitam que pesquisas financiadas pelos governos se transformem em lucros de companhias editoras privadas, (iii) mantenham o status quo.

Em artigo publicado sobre a avaliação do comportamento ético na área da biologia, publicada pela revista Nature em 2005, um terço dos pesquisadores aceitou declarar haver desenvolvido práticas duvidosas. A fraude científica se apresenta sob a forma de três delitos principais: a Fabricação de dados, quando o pesquisador cria totalmente os dados experimentais para validar suas hipóteses; a Falsificação de dados, quando os dados experimentais são manipulados de forma a se tornarem adequados para justificar a hipótese testada e o Plágio, quando se apropria de trabalhos de outros pesquisadores ou equipes sem os citar. Estas formas de fraude são conhecidas pela sigla FFP. Além destes desvios de comportamento há outras atitudes desaconselháveis como destruir os dados originais, esconder parte de resultados não adequados aos interesses do pesquisador, não indicar um conflito de interesse, ou exercer abuso de poder sobre um estudante.

Os problemas principais para identificar e punir os desvios de conduta é que a sua caracterização é difícil e, além disto, a existência de um espírito de corpo que impede a acusação. Casos exemplares já foram detectados e punidos, no artigo da Science & Vie alguns destes casos são citados. Apresento, a seguir, a lista e a busca Google que permite um conhecimento mais detalhado dos casos.

  1. Shinichi Fujimura (2000): arqueólogo japonês, criava peças e as enterrava para depois divulgar publicamente suas “descobertas”. Foi internado por doença mental.
  2. Willian Summerlin (1974): biólogo de Nova Iorque, criou uma técnica de transplante de tecidos entre espécies sem que ocorresse nenhuma rejeição. Foi declarado como “sofrendo de graves problemas emocionais”  e teve o salário mantido por um ano para terapia antes de seu desligamento definitivo do laboratório.
  3. Woo-Suk Hwang (2005): biólogo sul-coreano, anunciou a criação de células tronco embrionárias a partir de células humanas da pele, perdeu seu cargo na universidade e foi impedido legalmente de trabalhar sobre clonagem humana. Atualmente foi aceito em outro laboratório e trabalho sobre clonagem animal…
  4. Jan Hendrik Schön (2002): físico alemão trabalhando na Bell Labs, em 2001 publicou um artigo por semana em revistas, uma pesquisadora verificou que uma curva publicada por ele sobre transistores já havia sido publicada anteriormente, a aprtir dai a fraude foi identificada.
  5. Mais casos “picantes” (em Francês)

Em 2007 foi organizada em Lisboa a primeira conferência sobre a integridade científica organizada pela Fundação Européia para a Ciência e pelo Escritório da Integridade na Pesquisa norte-americana. Vamos realizar uma aqui no Brasil?

The European Science Foundation (ESF) and the US Department of Health and Human Services Office of Research Integrity (ORI) have organised the first World Conference on Research Integrity in Lisbon, Portugal (Calouste Gulbenkian Foundation,
16-19 September 2007). The Research Integrity World Conference was supported by the European Commission and hosted by the Portuguese Ministry for Science, Technology and Higher Education (MCTES), through the Portuguese Foundation for Science (FCT) and the Gabinete de Relações Internacionais da Ciência e do Ensino Superior (GRICES) in collaboration with the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG), as part of the forthcoming EU Portuguese Presidency….

Research Integrity has emerged in recent years as a critical topic in policy research and has gained significant political and public attention worldwide. To further world dialogue on this topic, the World Conference has focused attention on systemic and institutional issues, including organizational, governance and legal issues. A parallel activity by the OECD Global Science Forum (GSF) is studying governmental responses to the issue of research misconduct.

Creio que está na hora de nossas sociedades científicas começarem a tratar seriamente deste problema que aumenta devido às pressões sobre os pesquisadores. Estas pressões podem ser:

  1. Publicar e publicar para não morrer, é o critério simplista de que o impacto de suas publicações que prevalece sobre suas carreiras e progressões;
  2. Valorizar as suas carreiras fazendo com que suas pesquisas se transformem em aplicações comercializáveis, e
  3. Participar de uma ação de marketing acadêmico e científico tratando desafios de comunicação que não compreendem e administram profissionalmente.

Quanto mais forte a pressão maior o risco de “descarrilamento”. Os jovens cientistas são mais sensíveis a este risco, todos nós conhecemos casos de jovens pessoas competentes não contratadas por não terem um artigo QUALIS A1 ou A2 nos três últimos anos. A visão geral é que para uma carreira bem sucedida são necessários resultados excepcionais e logo. “Mas o problema não é, essencialmente de perfis psicológicos mas de situações de risco que aumentam nos últimos dez anos” como diz Martine Bungener, delegada adjunta para a integridade científica do INSERM (artigo em Francês da revista La Recherche).

É preciso tratar com coragem este problema. Este texto de Jean-Pierre Bourguignon, no artigo referido da revista Science & Vie, me parece elucidativo:

“Ce qui est le plus inquiétant, à mon sens, c’est que les comités d’évaluation, au lieu de lire les travaux des chercheurs, s’en tiennent à une sorte d’analyse de leur impact. Pourtant, le fait qu’un article soit très cité par d’autres chercheurs n’est pas forcément positif! II peut être au contraire pointé pour ses faiblesses. La massification nous fait dépendre de plus en plus de systèmes très automatisés; or moins les gens auront lu les articles, les auront critiqués, auront une opinion réelle, plus la situation deviendra fragile” “O que é mais perturbador para mim, é que as comissões de avaliação, em vez de ler os trabalhos dos pesquisadores, se orientam para um tipo de análise do seu impacto. Portanto, o fato de que um artigo é altamente citados por outros pesquisadores, não é necessariamente positivo! Pode ser referenciado, ao contrário, por suas fraquezas. A massificação nos faz depender mais e mais de sistemas altamente automatizados, ora quanto menos as pessoas terão lido os artigos, menos terão os criticado, menos terão uma opinião real, mais frágil a situação ficará.”

Alguns pontos a ponderar, por um lado garantir um comportamento ético desde as aulas e por outro lutar contra a pressão inadequada de avaliação que está se desenvolvendo no mundo.

  1. Cobrar e exigir comissões de ética em sua instituição para assegurar que “Espera-se que cada aluno obtenha seu grau baseado exclusivamente na avaliação de seu esforço e trabalho pessoal. Conseqüentemente qualquer forma de conversa em exames, ou plagiarismo em trabalhos, constitui-se em fraude inaceitável e em desonestidade passível de punição”.
  2. A avaliação da qualidade é um fenômeno cultural, não uma ferramenta tecnológica. É preciso avaliar um pesquisador por sua produção total e não por apenas um critério quantitativo.
  3. Popularidade não é qualidade. É preciso que a qualidade da produção seja analisada. Bastam os cinco ou dez melhores artigos e resultados acadêmicos de um pesquisador para que uma avaliação de qualidade possa ser realizada.
  4. A qualidade deve ser medida, também, pelo impacto da pesquisa na sociedade, tanto culturalmente como pela modificação dos meios de produção. Isto é uma avaliação qualitativa e quantitativa onde se incluem as publicações, produtos e processos, orientações, inserção internacional, e reconhecimento pelos pares.
  5. Uma solução simplista de contagem automatizada da qualidade de um trabalho medida pelas citações não avalia a real qualidade e é fortemente influenciada por interesses sócio-políticos e poderio econômico de editoras internacionais.
  6. A pressão, cada vez maior, por uma dita “produção qualificada”, sem que tenhamos clara definição dos motivos para esta “produção”  ser assim classificada, cria situações de risco, principalmente para os jovens pesquisadores que precisam iniciar uma carreira estável.
  7. A falta de um estágio de longa duração (no estilo tenure)para que os pesquisadores iniciantes possam demonstrar a sua competência em todas as dimensões como autonomia, capacidade de obtenção de recursos, formação de pesquisadores, interação com a indústria e publicações de qualidade é um elemento que aumenta a pressão para critérios draconianos na entrada da carreira.
  8. Outros países estão tratando seriamente do assunto, quando nós vamos começar a tratá-lo?

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Documento entregue ao candidato Serra numa reunião organizada pelos Profs. Valentim Gentil (USP), Euripedes Miguel (USP) e Ronaldo Laranjeira (UNIFESP), além de familiares de Dependentes Químicos (FEBRAE, ALANON)

O impacto das drogas na sociedade brasileira – busca de soluções

Ao longo dos últimos anos o Brasil sofreu um grande aumento do consumo de drogas. Infelizmente não houve uma mudança correspondente no vigor das políticas públicas que pudesse minimamente atenuar o impacto desse fenômeno na saúde pública. O objetivo desse documento é fazer um diagnóstico dessa situação e propor as melhores alternativas para o próximo governo.

Qual é a dimensão do problema das drogas no Brasil ?

a) Álcool

O álcool é o responsável pelo maior problema das drogas no Brasil. A própria Organização Mundial da Saúde já apontou que nosso país, e na maioria dos países da América Latina, o consumo de bebidas alcoólicas é responsável por cerca de 8% de todas as doenças existentes. Esse custo social é 100% maior do que os países desenvolvidos como EUA, Canadá, e da maioria dos países europeus.

No primeiro estudo brasileiro, feito pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) em 2006, que avaliou o padrão de consumo do álcool na população, mostrou que 11% dos homens e 4% das mulheres adultas eram dependentes do álcool. Essa alta prevalência tem um impacto enorme na sociedade brasileira, pois podemos dizer que cerca de 1 em cada 7 famílias tem alguém com problemas significativos em relação ao álcool. O impacto nas crianças também é grande, pois 1 em cada 5 crianças já presenciou violência por alguém intoxicado pelo álcool em casa.

O álcool contribui especialmente para o aumento da violência no Brasil. Na violência entre casais o álcool está presente em mais de 45% dos casos. Cerca de 50.000 mortes ocorrem no trânsito todos os anos no Brasil e pelo menos metade dessas mortes são devidos ao consumo de álcool. Mesmo com a introdução da chamada “lei seca” que alterou para zero a concentração de álcool permitida para dirigir, convivemos com  25% dos motoristas alcoolizados dirigindo nos finais de semana. Nenhum outro país desenvolvido ou em desenvolvimento apresenta números como os brasileiros. Somos muito atípicos no cenário internacional ao tolerarmos esse nível de pessoas intoxicadas dirigindo veículos.

Entre os adolescentes o álcool é a principal droga de abuso, com 1 em cada 7 adolescentes (16%) tendo episódios regulares de excesso de consumo. O padrão de consumo dos adolescentes brasileiros é de ingerir grandes quantidades em episódios nos finais de semana, expondo-os a uma série de riscos como: acidentes, gravidez não planejada, e também risco de consumir outras drogas ilícitas. Apesar de termos o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que proíbe a venda de bebidas para esse grupo, essa lei não é fiscalizada e está tornando o álcool a principal droga de entrada para um grupo substancial de jovens. Vale a pena destacar que embora o álcool seja uma droga lícita o uso pelos adolescentes é uma forma de uso ilícito de uma droga lícita.

Consenso Internacional sobre a Política do Álcool: No mês de maio de 2010 a Organização Mundial da Saúde passou uma resolução, apoiada pela grande maioria dos países, que busca a criação de uma política mundial sobre o álcool. À semelhança do que ocorreu com o cigarro a OMS criará as bases para implementar políticas baseadas em evidências em cada país. Essas políticas são: progressivamente aumentar o preço das bebidas alcoólicas, diminuir a disponibilidade social do álcool, proteger as crianças e os adolescentes da venda ilícita de bebidas, restringir a propaganda do álcool, reduzir o número de motoristas alcoolizados.

b) Maconha

A maconha é a principal droga ilícita utilizada no Brasil, com cerca de 10% dos adolescentes fazendo uso regular. Apesar do aumento regular do consumo dessa droga, fruto de uma percepção cada vez maior de que seja uma droga sem nenhum problema para a saúde, as evidências científicas cada vez mais apontam para uma série de problemas, como perda do rendimento acadêmico, acidentes de carro e aumento de uma série de doenças psiquiátricas como psicose e depressão. Estima-se que 1 milhão de usuários de maconha façam uso diário dessa substância, que são os dependentes.

Consenso Internacional sobre a Política da Maconha: Infelizmente pouco consenso existe sobre o que se deve fazer em relação à maconha. A maioria dos países está tentando buscar alternativas, mas até agora o consumo tende a aumentar universalmente. Com uma política mais liberal no Brasil estamos assistindo a um aumento de consumo maior do que a maioria dos países. Vários setores defendem ainda uma maior liberação em relação a essa droga, apesar dessa tendência de que cada vez mais jovens estejam consumindo maconha. Parece que estamos adotando uma política cada vez mais liberal, mesmo com resultados cada vez mais preucupantes. No mínimo o governo federal deveria ter uma posição mais clara sobre os riscos do consumo de maconha. Ao termos ministros de estado abertamente defendendo a legalização da maconha e até mesmo insinuando a defesa do uso torna o consumo dessa droga mais aceitável e a percepção dos riscos do seu uso mais leve.

c) Cocaína/Crack

O Brasil ficou livre da cocaína até meados dos anos 80, quando o preço de um grama dessa drogas estava ao redor de U$ 100, e a distribuição era somente para uma elite nas grandes cidades. Nesses últimos 30 anos a situação mudou dramaticamente. A partir dos anos 80 tivemos uma explosão do consumo de cocaína na forma em pó, fruto de uma dramática queda do preço, com um grama custando menos de U$ 2, e uma expansão enorme da rede de distribuição.

A partir de meados dos anos 90 o crack surgiu na cidade de São Paulo, de uma forma lenta, mas estável, expandiu-se para o interior do estado e mais recentemente nos últimos 10 anos expandiu-se para todo o país. O crack nada mais é do que a cocaína que pode ser fumada, tornando-a muito mais poderosa na criação de dependência e de uma série de problemas, em especial a violência. Todas as cidades onde o crack apareceu relatam um aumento de vários tipos de crimes. A primeira vítima da violência relacionada ao crack é a própria família do usuário. Pois é muito comum que comecem a roubar objetos diversos de suas próprias casas, como aparelhos de som, televisões, botijões de gás, etc para venderem e sustentarem o consumo. Esgotada essa fonte partem para crimes aquisitivos como roubo de carros, assaltos, etc.

Cerca de 1% da população brasileira faz algum consumo de cocaína, e aparentemente metade desse consumo é na forma de crack. As estimativas do próprio Ministério da Saúde de que temos 600 mil usuários de crack no Brasil é uma boa aproximação da realidade. O grande problema dos usuários do crack é que o volume de problemas de saúde, familiares e sociais que desenvolvem em paralelo ao consumo é muito grande. Essa é uma droga cuja dependência é muito grave e dificilmente o usuário consegue interromper o uso sem uma rede de tratamento muito bem organizada.

Estudo da UNIFESP que acompanha há 15 anos os primeiros 131 usuários de crack identificados no começo dos anos 90 na cidade de São Paulo, mostrou que cerca de 30% deles morreram nos primeiros cinco anos. A maior parte das mortes foi por homicídio. Esse estudo mostrou também as grandes dificuldades que os familiares tiveram em achar algum tipo de tratamento para os usuários. Se esse estudo puder servir para avaliar o que acontece no Brasil como um tudo, teremos a morte de pelo menos 180 mil usuários de crack nos próximos anos.

Consenso Internacional sobre a Política da Cocaína/Crack: As Nações Unidas num relatório recente mostrou que o Brasil é um dos poucos países no mundo onde o consumo de cocaína e crack está aumentando. A explicação deve ser por razões regionais. Nesse sentido a maior produção de cocaína por países como a Bolívia deve fazer parte da maior oferta e distribuição da cocaína e do crack em praticamente todos os estados do Brasil. Como não somos um país produtor de cocaína, estamos sujeitos a essas forças externas do tráfico internacional. Portanto deveríamos adotar políticas vigorosas para diminuir o fluxo de cocaína no Brasil.  Já foi apontado também que toda essa cocaína não seria produzida se não houvesse uma rede sofisticada de produtos químicos para ajudar nesse processo. O único país da região com condições de fornecer esses produtos é o Brasil. Portanto esforços vigorosos deveriam ser feitos para identificar as empresas que estão fornecendo esses produtos e fecharmos esse fluxo de exportação clandestina.

No entanto temos mais de 600.000 usuários de crack em atividade, e para essa população vamos precisar de uma rede de tratamento mais organizada e que possa fazer uma diferença na evolução dessa doença. Devemos ter o compromisso de oferecer o tratamento necessário para essa população, pois o consumo de crack tem uma mortalidade maior do que a maioria das doenças cancerígenas.

Qual são as opções de prevenção ao problema das drogas no Brasil ?

Praticamente não temos programas de prevenção às drogas no Brasil financiado pelo governo federal. O que existe é uma série de iniciativas, a maioria por indivíduos ou algumas organizações, que tentam vários de tipos de ações, mas sem nenhuma direção clara e sem evidência de que aquilo que é feito tenha um impacto na diminuição do consumo. O que precisamos é de um modelo mais definido de prevenção, recursos para o tamanho da tarefa, e um sistema de avaliação sistemático para monitorar esse comportamento nas nossas crianças.

Por exemplo, os EUA anualmente fazem vários levantamentos em escolas e nas comunidades para monitorar o uso de substâncias pelas crianças americanas. Um dos estudos inclusive chama-se “Monitorar o Futuro” e tem como objetivo claro avaliar quais as políticas preventivas que estão funcionando. Vale a pena ressaltar que o consumo de várias drogas está diminuindo nos EUA. Vários fatores contribuíram para o sucesso parcial da estratégia americana: escolher a criança e o adolescente como o foco da prevenção, estratégias universais onde toda criança americana deveria receber um mínimo de informações sobre as drogas e o financiamento de centenas de projetos comunitários que são mais específicos e adaptados para um tipo de população.

Portanto o que devemos fazer no Brasil é algo parecido:

1 – Prevenção Universal: Deveríamos ter como objetivo que as informações sobre os diferentes tipos de drogas façam parte do currículo de todas as escolas públicas e privadas, desde a mais tenra infância. É claro que esse tipo de programa necessita de toda uma adaptação sobre a forma como falar sobre esse assunto com crianças muito pequenas. Por exemplo, nas fases iniciais pode-se fazer prevenção estimulando o aprendizado de saúde e de formas básicas de cuidar de vários aspectos do corpo, como higiene dentária, entender as escolhas alimentares, etc.

2 – Programas de Prevenção Comunitários: Deveríamos ter uma fonte de financiamento de programas preventivos comunitários, onde os municípios pudessem, através dos seus Conselhos Municipais Antidrogas (esses conselhos já existem num número substancial de municípios) criar projetos estratégicos, com especial atenção aos adolescentes com maior risco de usarem drogas. Vale a pena ressaltar que os adolescentes são muito desassistidos em termos de políticas sociais. A própria Organização Mundial da Saúde já reconheceu isso e existe um movimento mundial de transformar os adolescentes como um grupo de risco, à semelhança do que ocorrem com as crianças, idosos e mulheres. Não resta dúvida de que essa faixa etária deveria receber um grande destaque numa política de prevenção. As evidências mostram que se um jovem não usou drogas até os 21 anos dificilmente usará. Portanto todos os esforços deveriam ir nessa direção. Além disso somente as comunidades locais, ou os municípios têm condições de identificar o problema e propor soluções. O que muitas vezes os municipios não sabem fazer é como desenvolver esses programas preventivos com consistência técnica. Deveria ser função do governo federal fornecer a capacitação técnica geral dessas ações comunitárias, e formas de avaliação do impacto dos programas preventivos.

3 – Programas de Orientação Familiar: Existe uma grande desinformação das famílias em como ajudar essa nova geração de brasileiros a ficarem longe das drogas. As famílias recebem uma grande carga de informações fragmentadas da mídia, que acaba informando, mas também gerando medo e insegurança nos pais, sem necessariamente fornecer os meios para a prevenção. Existe um enorme oportunidade de criarmos formas comunitárias de amparar as famílias com informações de qualidade para fazer a prevenção e a eventual identificação precoce do uso.

Qual são as opções de tratamento ao problema das drogas no Brasil ?

Os milhares de brasileiros que desenvolvem a dependência química acabam não recebendo a devida assistência causando um enorme problema para as suas famílias e para as comunidades como um todo. Devemos propor uma mudança substancial na forma como a assistência a essas pessoas é feita, garantindo que cada brasileiro possa receber o melhor tratamento possível. A proposta é baseada em 2 princípios:

1 – Mudança do financiamento e do controle da assistência ao Dependente Químico

Atualmente o Ministério da Saúde cuida da política assistencial de todo o Brasil. Infelizmente tem sido uma política muito ideologizada. A principal ideologia é que todos os pacientes deveriam ser tratados somente nos chamados CAPS-AD (Centro de Atenção Psico Social para Álcool e Drogas). Infelizmente uma parte substancial dos dependentes químicos não adere a esse tipo de tratamento. Por exemplo, a maioria dos usuários de crack necessita de um tratamento bem mais estruturado, com internações em clínicas especializadas. Devido a essa ideologia o governo tem se afastado de uma solução satisfatória para o tratamento dessa população. É impossível fazer uma única política para um país tão diferente como o Brasil. Assim como não se trata uma doença tão complexa como a dependência do crack somente em um único lugar como os CAPS-AD. Na prática deixamos um grande número de usuários de crack e suas famílias completamente desassistidos.

Cada Estado da União deve assumir a política mais ajustada para enfrentar esta epidemia e para isto, gerenciar o financiamento da implantação e avaliação de sua rede de serviços. A Federação, através do SUS deve fornecer os recursos necessários e com orçamento específico para o tratamento da Dependência Química.

Os projetos de cada estado devem buscar formas assistenciais que sejam baseados em evidências científicas. Deveríamos ter projetos para populações específicas como: usuários de crack, dependentes do álcool, etc. De acordo com as necessidades e prioridades de cada estado. Criar instituições/especialistas responsáveis, estrategicamente escolhidos, para acompanhar a implantação e avaliação do desenho da rede, integrando recursos, fiscalizado pelo Conselho Estadual sobre Drogas (CONED). Todos os estados brasileiros têm um CONED, que infelizmente fica inoperante em relação à prevenção e ao tratamento da dependência química. Poderia ser uma política muito boa ao valorizarmos esses conselhos, através de financiamentos específicos.

2 – Busca de Metas Objetivas

As principais metas devem ser:

a)       Mapear os recursos existentes em cada estado, e criar o seu “mapa de assistência” baseados em dois formatos:  1) os recursos formais que atendam ou possa atender pacientes com dependência química (Unidade Básica de Saúde, Prontos Socorros, Centro de Atenção Psicosocial (CAPS),  Hospital Dia, Hospital Geral, Hospitais Psiquiátricos, Comunidades Terapêuticas, Moradias Assistidas, etc) e 2) os recursos informais comunitários (Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, Grupos de Amor Exigente,  grupos religiosos, etc);

b)       O sistema formal de tratamento deve trabalhar em sintonia com o setor informal. Todos os CAPS deve oferecer as suas instalações para grupos comunitários de AA, NA e Amor Exigente. De preferência esses grupos deveriam ser ouvidos na gestão dos serviços públicos na área;

c)       Desenvolver o treinamento das equipes mínimas de saúde e assistência social, selecionadas estrategicamente para este fim (Unidade Básica de Saúde, CAPS, Hospital Geral, Pronto Socorros, etc), assim como dos serviços ou instituições informais;

d)       a prioridade assistencial e de prevenção deve ser o adolescente e adultos jovens, sendo que a implicação dessa escolha deva ser criar serviços específicos para o tratamento ambulatorial e de internação para essa população. Nenhum adolescente deveria ficar sem receber o melhor atendimento devido às repercussões do uso de substancias.

e)       A assistência deve incluir todos os recursos e todos os CAPSad devem instituir o sistema de  “porta aberta”. Os CAPSad deveriam se responsabilizar por encontrar o melhor tratamento para todos os pacientes e familiares que busquem esses serviços. Mesmo se o paciente abandonar o tratamento os CAPSad deveriam continuar oferecendo serviços para a família e buscar ativamente o engajamento dessa pessoa no serviço.

f)        A internação involuntária deveria ser considerada como uma possibilidade de tratamento, desde que siga todas as condições já estipuladas em lei;

g)       Todos os serviços de saúde da rede devem buscar a identificação precoce através de triagem para detectar o usuário problemático e imediatamente referendar para o CAPSad de referência;

h)       O financiamento do SUS para o tratamento da Dependência Química deve ser para todos os serviços que recebam evidências na literatura médica internacional, são eles : Comunidades Terapêuticas, Enfermarias Especializadas em Hospitais Gerais e em Hospitais Psiquiátricos, Moradias Assistidas, Ambulatórios de Especialidades, Prontos Socorros.

i)         Todo cidadão deveria receber o melhor cuidado possível disponível, de acordo com a sua necessidade clínica. Privar uma pessoa desses cuidados é uma negação dos direitos de cidadania.

j)         O gestor público deveria de ter o compromisso de divulgar todos os serviços disponíveis na sua região para as famílias, escolas e comunidades.

Crítica ao projeto do governo LULA em relação ao CRACK (“PAC DO CRACK”)

A principal critica a esse projeto do atual governo é que temos “mais do mesmo”. Ou seja, a mesma equipe trabalhando no Ministério da Saúde e na Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da Republica, que foi incapaz ao longo dos últimos 12 anos de produzir formas de prevenção e de tratamento para a dependência química, não apresenta um plano ambicioso e tecnicamente consistente para lidar com a dimensão desse problema. As principais críticas são:

1 – O plano refere que dobrará os leitos em hospitais gerais para internação dos usuários de crack. Nenhum local é mais inadequado do que os hospitais gerais para internar um tipo de pessoa como o usuário de crack. No momento da internação eles estão irritados, violentos, muitas vezes com sintomas psicóticos, e, portanto necessitam de cuidados especiais que os hospitais públicos brasileiros não têm. O que precisamos é da criação de unidades especializadas, como o Governo do Estado de São Paulo criou em São Bernardo do Campo em parceria com a UNIFESP. Pequenas unidades de desintoxicação, onde o paciente pode receber um atendimento digno e tecnicamente adequado.

2 –O plano refere a ampliação da rede dos chamados CAPS (Centro de Atenção Psicosocial) para dependentes do álcool e drogas. Ao longo dos anos a experiência mostrou que os usuários de crack têm uma baixa aderência ao tratamento ambulatorial, e investir mais dinheiro publico nesse serviço, sem a mínima evidência que funcionam para essa população é de uma irresponsabilidade ímpar. Temos atualmente 223 CAPS-AD no Brasil, no estado de São Paulo são 57. O número de pacientes atendidos nessa rede é absolutamente irrelevante quando pensamos que temos 600 mil usuários de crack nas nossas comunidades. Na melhor das hipóteses cada um desses CAPS faz por mês 1000 consultas, muitas vezes do mesmo paciente. O que dá uma idéia da ineficiência desse local para lidar com essa verdadeira epidemia do crack.

3 – O plano refere que esses mesmo CAPS-AD deveriam internar até 8 usuários de crack nas suas dependências. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) recentemente fez uma pesquisa avaliando os CAPS do estado de São Paulo e mostrou as dificuldades que passam esses locais pela falta de financiamento do Ministério da Saúde. O próprio CREMESP já se manifestou nos sentido de considerar essas “internações” nos CAPS como inadequadas, pois no período noturno esses locais ficam sem nenhuma retaguarda médica. Imaginar que oito usuários de crack possam ficar sem assistência médica a noite mostra a irresponsabilidade dessa proposta.

4 – O plano refere que deveriam ser criados “Consultórios de Rua” para atender a população de usuários de crack que ficam perambulando pelas ruas. Não existe evidência de que esse tipo de ação possa retirar da rua essa população, pois se não existir uma rede especializada para dar continuidade a esse contato, esses “consultórios” deverão mais ajudar na manutenção do problema do que na solução.

5 – O plano refere também que deveriam ser criados “Pontos de Acolhimento” onde os usuários, especialmente os adolescentes deveriam ir para tomar banho ou descansar e receber orientações sobre como reduzir os danos decorrentes ao uso de substâncias. O mais provável é que esses locais acabem contribuindo para o consumo de drogas e virem locais de uso. Além disso, fornecer informações sobre redução de danos para crianças e adolescentes, sem prover um tratamento estruturado, e até mesmo internações, é contra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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Formas de Tratamento da Dependência Química (“Adicção”) – Álcool e Drogas

Como boa parte da minha especialização dentro da psiquiatria é voltada para a área da Dependência Química, recebo um número crescente de familiares (e pacientes, às vezes…) querendo iniciar o tratamento “antes que seja tarde demais”.

Neste breve texto gostaria de esclarecer o correto fluoxograma na busca pela ajuda de pacientes dependentes químicos:

1) Nos casos em que o indivíduo aceita a existência do problema

antes de pensar numa internação, uma boa avaliação psiquiátrica, o início de um tratamento psicoterápico, muitas vezes com a recomendação de iniciar a participação em grupos de mútuo-ajuda (N.A., A.A., e para as famílias Amor Exigente, todos presentes em virtualmente qualquer cidade do país
família deve parar antes mesmo de procurar a orientação de grupos de Amor Exigente, de agirem como facilitadores – muitas vezes as orientações são duras e difíceis de serem implementadas quando se tratam de famílias cujos pais não vivem juntos mais, e ocorre triangulação com avós e outros parentes. Os pacientes que têm a experiência da transformação pela qual passam os pais que frequentam Amor Exigente têm um termo engraçado para designar o mesmo “amor ferra-a-gente” rsrs
não havendo o menor sinal de progresso, ou se percebendo que a aceitação do problema era algo superficial, [...] Continue Reading…

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RDC no101 que regula o funcionamento das Comunidades Terapêuticas de Reabilitação de Dependentes Químicos

Todas as comunidades teraperapêuticas deveriam respeitar a seguinte Resolução, publicada em 2001. Como trabalho na área, tive o prazer (e muitas vezes o desprazer) de conhecer vários destes serviços. omo infelizmrente muitos donos de clínicas enxergam nas mesmas somente um lugar para as famílias mandarem suas ovelhas negras, o cumprimeno das determinaçõew da resolução são deixadas de lado, contando com a remuração das famílias dos pacientes com promessasvagas;. Antes de procurar um serviço de reabilitação de dependentes químicos para você ou seu ente querido, leia na íntegra a RDC101, e exija conhecer o local (desde as instalações onde os pacientes pernoitarão, a enfermaria, escritórios, quartos, consultórios de atendimento psiquiátrico e psicológicos, pergunte específicamente sobre as atividades e frequencia das mesmas, a presença de psicólogos especializados em dependência química (cada vez mais se verificam as vantagens da especialização em terapia-cognitivo-comportamental – TCC  além da pós-graduação em dependência química somente!). Façam questão de entrar na parte involuntária das clínicas que trabalham com esses paientes – é sempre o primeiro local que eu faço questão de ir pessoalmente em qualquer clínica que me fez ofertas de trabalho pela região. pois- mas percebam que a internação involuntária (seja à pedido da família, seja [...] Continue Reading…

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Planos de saúde são obrigados a ampliar cobertura a partir de segunda

Na segunda (7), entra em vigor a nova regra sobre planos de saúde em todo o País. Segundo determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as operadoras devem incluir, obrigatoriamente, cobertura básica de mais 70 procedimentos.

As operadoras devem ainda ampliar o limite de consultas em determinadas especialidades.

Estima-se que 44 milhões de pessoas sejam beneficiadas. A norma vale para os contratos assinados a partir de 2 de janeiro de 1999.

Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)
Fonte: Marcelo Eduardo – Capital News

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Cremesp divulga polêmica pesquisa – Código de Ética está sendo descumprido?

(Boletim Simesp 240 Junho 2010)

Segundo inédita pesquisa do Cremesp, divulgada na segunda-feira, com grande repercussão a partir de matérias publicadas pela Folha de S. Paulo, a relação médico-indústria farmacêutica merecerá estudos mais aprofundados, especialmente a partir da entrada em vigor do novo Código de Ética Médica.

Um dos dados da pesquisa do Cremesp, por exemplo, revela que quase metade (48%) dos médicos paulistas que recebem visitas de propagandistas de laboratórios prescreve os medicamentos sugeridos pelos fabricantes. Na área de equipamentos médico-hospitalares, lembra a Folha, “a eficácia da visita é ainda maior”: 71% dos profissionais da saúde acatam a recomendação da indústria. O Cremesp avaliou o comportamento médico perante as indústrias de remédios, órteses, próteses e equipamentos médico-hospitalares.

Feito pelo Datafolha, o levantamento envolveu 600 médicos, de várias especialidades, que representam o universo de 100 mil profissionais que atuam no Estado.

Do total, 80% deles recebem visitas dos propagandistas de medicamentos – em média, oito por mês.

A pesquisa revela que 93% dos médicos afirmam ter recebido, nos últimos 12 meses, produtos, benefícios ou pagamento da indústria [...] Continue Reading…

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Tratamento de manutenção com quetamina para depressão

Interessante artigo sobre o tratamento a longo prazo da depressão com quetamina, veja na íntegra abaixo (retirado do site Integral Options Cafe)

Maintenance Ketamine Treatment Produces Long-term Recovery from Depression

May 17, 2010

Michael M. Messer, MD
Physician of Behavioral Health, SMDC Medical Center, Duluth, Minnesota

Irina V. Haller, PhD, MS
Senior Research Scientist of Education and Research, SMDC Health System

First published in Psychiatry Weekly, Volume 5, Issue 12, on May 17, 2010

Introduction
A growing body of evidence indicates that N-methyl-d-aspartate (NMDA) receptor antagonists significantly and rapidly improve depressive symptoms in MDD patients. Two randomized controlled trials, one including treatment-refractory depression (TRD) patients, reported a rapid antidepressant response from a single infusion of ketamine in patients with MDD.1,2 There are no available data or general guidelines, however, on optimal dose, frequency, or inter-dose interval for ketamine administration to sustain remission. This case delineates a dosing regimen and may provide guidance to achieving sustained remission in TRD patients.
Case Report
In January 2008, a 46-year old female with MDD was hospitalized for a course of ECT. Successive interventions over 15 [...] Continue Reading…

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