Science & Vie |
56 FRAUDE SCIENTIFIQUE Etudes biaisées, expériences trafiquées, résultats falsifiés…A côté de cas célèbres de fraude scientifique, les “pratiques douteuses” semblent s’accumuler dans les labos. Pourquoi certains chercheurs franchissent-ils alors la ligne rouge ? Que faire pour l’éviter ? Voici notre enquête dans les coulisses de la science. O número de Novembro de 2008 da revista francesa Science et Vie apresentou um artigo de fundo sobre a Fraude Científica, com o subtítulo: uma investigação nos bastidores dos laboratórios. Com todos as denúncias de corrupção na política brasileira temos a tendência de relaxar a atenção na ética na pesquisa. Acreditamos que os cientistas são, inerentemente, mais sérios; engano, total e completo. Este artigo apresenta uma visão chocante da realidade nos laboratórios. Nesta crônica mostro uma síntese das idéias e fatos descritos no artigo. |
||||
| Na fraude científica existem os “grandes criminosos” e os “pequenos delinqüentes“. O grande problema é que se for permitido que a cultura de que os pequenos delitos podem ser aceitos a ética começa a ser erodida e, aos poucos, a fraude se instala nos laboratórios. Sou otimista e creio que a maioria dos pesquisadores, a menos de uns poucos patologicamente criminosos, é correta e gostaria de assim permanecer. A fraude é estimulada por dois fatores: i) a impunidade e ii) uma pressão irrealística de avaliação que hoje é representada pela busca pelo Santo Graal Acadêmico da indexação ISI, do QUALIS e associados. Na crônica anterior tratei da avaliação das diferentes formas de publicação, este foi o tema de uma palestra na CAPES e outra na Universidade de Paris XIII, na Escola Doutoral Galilée: a idéia é que TODAS as publicações, independente do meio, podem ter qualidade. A idéia é que a qualidade é algo intrínseco à publicação, ao seu mérito, e não ao veículo de publicação.
Precisamos, e rapidamente, entender que a avaliação de um pesquisador (lembrem-se que pesquisadores são pessoas) deve ser realizada pelo valor da sua obra e não exclusivamente sobre indicadores numéricos e bibliométricos. Um dos comportamentos inadequados, criados por esta pressão copiada dos USA e conhecida como publish or perish, a que somos forçados é a técnica do salame: transformar um artigo bom e completo em tantos artigos pequenos quanto possível (nos bares baratos procuram fazer fatias tão finas quanto possível de um salame para render mais). Qualidade é um conceito subjetivo que está relacionado diretamente às percepções de cada indivíduo. Diversos fatores como cultura, modelos mentais, necessidades e expectativas influenciam diretamente nesta definição. A qualidade é algo que tem profunda base ideológica. Não existe uma definição fixa, perfeita e imutável de qualidade. Há enormes interesses econômicos e de poder em criar definições de qualidade que: (i) privilegiem os países centrais, (ii) permitam que pesquisas financiadas pelos governos se transformem em lucros de companhias editoras privadas, (iii) mantenham o status quo. Em artigo publicado sobre a avaliação do comportamento ético na área da biologia, publicada pela revista Nature em 2005, um terço dos pesquisadores aceitou declarar haver desenvolvido práticas duvidosas. A fraude científica se apresenta sob a forma de três delitos principais: a Fabricação de dados, quando o pesquisador cria totalmente os dados experimentais para validar suas hipóteses; a Falsificação de dados, quando os dados experimentais são manipulados de forma a se tornarem adequados para justificar a hipótese testada e o Plágio, quando se apropria de trabalhos de outros pesquisadores ou equipes sem os citar. Estas formas de fraude são conhecidas pela sigla FFP. Além destes desvios de comportamento há outras atitudes desaconselháveis como destruir os dados originais, esconder parte de resultados não adequados aos interesses do pesquisador, não indicar um conflito de interesse, ou exercer abuso de poder sobre um estudante. Os problemas principais para identificar e punir os desvios de conduta é que a sua caracterização é difícil e, além disto, a existência de um espírito de corpo que impede a acusação. Casos exemplares já foram detectados e punidos, no artigo da Science & Vie alguns destes casos são citados. Apresento, a seguir, a lista e a busca Google que permite um conhecimento mais detalhado dos casos.
Em 2007 foi organizada em Lisboa a primeira conferência sobre a integridade científica organizada pela Fundação Européia para a Ciência e pelo Escritório da Integridade na Pesquisa norte-americana. Vamos realizar uma aqui no Brasil?
Creio que está na hora de nossas sociedades científicas começarem a tratar seriamente deste problema que aumenta devido às pressões sobre os pesquisadores. Estas pressões podem ser:
Quanto mais forte a pressão maior o risco de “descarrilamento”. Os jovens cientistas são mais sensíveis a este risco, todos nós conhecemos casos de jovens pessoas competentes não contratadas por não terem um artigo QUALIS A1 ou A2 nos três últimos anos. A visão geral é que para uma carreira bem sucedida são necessários resultados excepcionais e logo. “Mas o problema não é, essencialmente de perfis psicológicos mas de situações de risco que aumentam nos últimos dez anos” como diz Martine Bungener, delegada adjunta para a integridade científica do INSERM (artigo em Francês da revista La Recherche). É preciso tratar com coragem este problema. Este texto de Jean-Pierre Bourguignon, no artigo referido da revista Science & Vie, me parece elucidativo:
Alguns pontos a ponderar, por um lado garantir um comportamento ético desde as aulas e por outro lutar contra a pressão inadequada de avaliação que está se desenvolvendo no mundo.
|
|||||




